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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

No mais, estou indo embora




Sonhos como os de Caetano. Ouça: Sonhos


Sou romântica, não burra – disse no desembarque. Ajo porque sou mulher, apaixonada, com sede ensandecida de emoções. Sonho, arquiteto, esqueço o resto do mundo. Me jogo, arrisco, dispenso qualquer aviso prévio, interno ou externo, de que eu vá quebrar a cara.  Digo que lhe quero, assim, na lata, pondo em risco o protótipo de orgulho que construíram queimando soutiens nas ruas e te alimento com minha maneira exagerada de sentir. Por você, meu bem, só por você.

Mas, sabe, tem uma coisa que você ainda não entendeu- disse com os olhos transbordando sarcasmo. Apesar dos meus rompantes de sentimentalismo, nasci, digamos, com um racionalismo inconsciente. Machuque-me, se puder, e minha reação será a oposta das que vê por aí. Discurso chato esse neh?! Nem essa sua persona politicamente correta me impediu de ver o quanto toda a passividade das frases "eu sei", "eu te entendo" te irritam profundamente. Aliás, sua cara de sono deixou tudo bem claro.

No fundo, seu maior desejo é que eu não aceitasse a normalidade que decretou à sua própria vida e que do outro lado do mundo, inventasse uma maneira inovadora de lhe gritar o amor. Ahan, meu bem, você escutaria, sei disso. Ta...gosta de mim, sei disso também. Então viria comigo? Não, neh?! Suspeitei. Acostumou a ser assim: disciplinado, prático e discreto com todo mundo. Olhe bem pra você. Consegue perceber o que eu to dizendo? Tem os melhores sentimentos guardados, mas prefere dominá-los, antes que ponha em risco sua reputação. Aliás, não entendo porque ainda ta aqui insistindo pra que eu fique. Não foi você quem disse que não se deve deixar as esperanças guiarem nossas vidas? Pois bem, seguirei seu conselho!

Não farei escândalos, não chorarei debaixo da sua janela, não te deletarei da minha vida, assim como não te deletei do "banal" site de relacionamento. Sei maneiras mais eficazes de chamar sua atenção e também, isso não é hora de desregular seu ego com reações previsíveis. Só peço que entenda minha decisão. Aceite que, por enquanto, eu aceito as condições que me impõe, mas que não posso mais ficar aqui, correndo o risco de obedecer novamente meus impulsos. É hora dos sentidos obedecerem à razão.

Bem, fica com Deus e tenha paciência. Mais tarde eu me toco que não consigo viver longe de você. Não espere, pelo menos por agora, que eu seja contra a sua decisão, mas se quiser, fique à vontade e espere por mim. Prometo que volto pronta pra brigar, correr atrás e entregar meu coração de bandeja pra feri-lo, novamente, o quanto quiser. No mais, estou indo embora.

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Um comentário:

  1. Seus textos são lúcidos e fluídos.Gostosos de ler.Abração!

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